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PR Chapo destaca segurança hídrica como eixo central do desenvolvimento nacional

18/05/2026 | Notícia

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta segunda-feira, na cidade de Maputo, que Moçambique deve transformar a água num instrumento estratégico de desenvolvimento nacional e de resiliência climática, através de uma nova abordagem de gestão dos recursos hídricos.

O Chefe do Estado falava no lançamento do PROÁguaS – Compacto Nacional de Segurança Hídrica 2026-2036, ocasião em que sublinhou que a segurança hídrica será determinante para a prosperidade, estabilidade e competitividade das nações.

Segundo o Presidente da República, a água deixou de ser apenas um recurso natural, passando a constituir um “activo estratégico da soberania, da resiliência climática e do desenvolvimento sustentável”.

O estadista alertou para os desafios estruturais que o país enfrenta no acesso à água potável e ao saneamento, referindo que a cobertura nacional de abastecimento de água é actualmente de cerca de 62,6%, enquanto o saneamento atinge 38,2% da população. Nas zonas rurais, a cobertura de saneamento situa-se em aproximadamente 24,6%.

Daniel Chapo manifestou ainda preocupação com o impacto das mudanças climáticas sobre os recursos hídricos, apontando a recorrência de secas, cheias e ciclones como factores de crescente pressão sobre o país. “Do Rovuma ao Maputo, do Zumbo ao Índico, o povo moçambicano conhece, na sua própria pele, o peso da insegurança hídrica”, afirmou.

O Presidente referiu que as projecções demográficas indicam que Moçambique poderá atingir cerca de 45 milhões de habitantes até 2036, o que exigirá maior expansão de infra-estruturas, produção agrícola e disponibilidade de água para consumo e actividades económicas.

No mesmo contexto, apresentou o PROÁguaS como a “mais abrangente, estruturante e ambiciosa plataforma nacional de transformação do sector de águas, saneamento e recursos hídricos”, estimando a mobilização de cerca de 4,593 mil milhões de dólares ao longo da próxima década.

O programa prevê elevar a cobertura de abastecimento de água para 75% até 2036, com 65% nas zonas rurais e 92% nas áreas urbanas, além de aumentar a cobertura de saneamento para 60% e eliminar progressivamente a defecação a céu aberto.

Entre as principais intervenções, destacam-se a construção e reabilitação de quatro grandes barragens, mil pequenas barragens e reservatórios escavados, mais de 300 estações de monitoria de recursos hídricos, bem como a expansão de ligações de água e infra-estruturas de saneamento em todo o país.

O Presidente da República defendeu igualmente o reforço da cooperação regional na gestão de bacias hidrográficas partilhadas, sublinhando que a água deve ser um factor de união, estabilidade e desenvolvimento na região.

Na conclusão da sua intervenção, apelou ao envolvimento do sector privado, parceiros internacionais e sociedade civil na implementação do programa, afirmando que o PROÁguaS “não pertence apenas ao Governo, pertence ao povo moçambicano”.

O Chefe do Estado expressou ainda o desejo de que as futuras gerações reconheçam este momento como um marco de viragem, em que o país decidiu transformar a vulnerabilidade em resiliência e a escassez em oportunidade.