O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apelou, esta quarta-feira, em Gaborone, à comunidade moçambicana residente no Botswana para reforçar a sua organização e participação no Diálogo Nacional Inclusivo, defendendo que a união e a troca de ideias devem prevalecer sobre a violência, o ódio e a desinformação na construção do país.
Falando durante um encontro com representantes da comunidade moçambicana, no quadro da sua visita de Estado ao Botswana, o Chefe do Estado considerou que a organização em associações constitui uma forma de garantir apoio e solidariedade entre os compatriotas, sobretudo em momentos de dificuldade.
“Continuem organizados em associações, porque esta associação une os moçambicanos, é um ponto de encontro”, afirmou.
Na mensagem apresentada ao Presidente da República, a comunidade moçambicana no Botswana manifestou a vontade de participar activamente no desenvolvimento do país, destacando os conhecimentos, experiências profissionais, competências, negócios e redes de contactos acumulados pela diáspora.
Entre as preocupações apresentadas figuraram o custo de vida, o desemprego, sobretudo entre os jovens, as dificuldades económicas, os efeitos das mudanças climáticas, os desafios de segurança e a necessidade de fortalecer a confiança dos cidadãos e o ambiente de negócios.
A comunidade defendeu igualmente o fortalecimento das instituições e um combate efectivo à corrupção, bem como a melhoria dos sectores da educação e saúde, com hospitais dotados de medicamentos e equipamentos e escolas com condições dignas.
Na mensagem, os representantes dos moçambicanos no Botswana defenderam ainda que os recursos naturais sejam utilizados de forma transparente e responsável e que as oportunidades de desenvolvimento se traduzam em benefícios para os cidadãos.
Daniel Chapo destacou igualmente o carácter da comunidade moçambicana no exterior, recordando o reconhecimento que, segundo relatou, lhe foi transmitido pelo antigo Presidente português Marcelo Rebelo de Sousa.
Citando o antigo Chefe do Estado português, disse que os moçambicanos constituíam “a comunidade mais exemplar” em Portugal.
Sobre a situação política do país, o Presidente da República referiu-se às eleições de 2024 e ao período posterior à votação, defendendo que as diferenças devem ser tratadas por via do diálogo.
Explicou que o Compromisso Político para o Diálogo Nacional Inclusivo foi posteriormente transformado em lei aprovada por consenso pela Assembleia da República e afirmou que o processo está a decorrer também na diáspora.
“Mas temos que perceber que se eu penso diferente do meu irmão ali, não preciso de usar a força, a violência, o ódio, a desinformação, a manipulação ou qualquer outra forma não apropriada para poder impor as minhas ideias, mas tenho que fundamentar”, afirmou o Chefe do Estado, acrescentando que “pensar diferente traz riqueza”.
O estadista moçambicano apontou ainda a estabilidade política, económica e social como condição para o desenvolvimento e referiu os desafios de segurança em Cabo Delgado, incluindo a continuidade de ataques terroristas em algumas zonas e a deslocação de populações.
Neste contexto, agradeceu ao Botswana pelo apoio prestado através da SAMIM no combate ao terrorismo em Moçambique.
Na componente económica, o Presidente da República apresentou a exploração do gás como uma fonte de recursos para financiar a diversificação da economia, apontando sectores como agricultura, turismo, infra-estruturas, logística, industrialização, comércio e digitalização.
Segundo afirmou, os projectos de gás em desenvolvimento ou em preparação poderão representar investimentos de cerca de 50 a 60 mil milhões de dólares nos próximos cinco a dez anos.
Daniel Chapo anunciou igualmente que Moçambique está a trabalhar com o Botswana para desenvolver ligações aéreas entre aquele país e destinos turísticos moçambicanos, incluindo Vilankulo, Inhambane e Maputo, com vista à criação de pacotes turísticos integrados na região da África Austral.
No encerramento, o Chefe do Estado reiterou a importância da contribuição da diáspora para o desenvolvimento nacional, referindo que os moçambicanos no exterior possuem conhecimentos, experiências, competências, negócios e redes de contactos que podem beneficiar o país.
“E a nossa visão é que, com base nos recursos que vão decorrer do gás, como o caso de impostos, as receitas, royalties e outros recursos, é diversificar a nossa economia”, afirmou, numa intervenção em que também agradeceu à comunidade pelo seu contributo para a imagem de Moçambique no exterior.